A frase acima foi cunhada por Duncan Wardle, Vice President, Global PR Integration & WDW PR da Disney. Ela veio logo após uma afirmação importante, que foi a grande palavra pronunciada no WOMM-U: autenticidade. Que aliás, ganhou por muito pouco do termo “engagement”. Essas duas palavras representam os ingredientes do segundo e último dia do WOMMA.

Com uma belíssima apresentação da Disney, ficou claro também a importância de um conteúdo de primeira. E em matéria de conteúdo, vamos combinar, é difícil ganhar da Disney. Mas o diferencial das ações apresentadas é ver como eles usam social media para questões além da promoção, como no case “Dream Job” e “Moms Disney”, que tratam de temas mais complicados do que simplesmente convidar pessoas a visitar seus parques ou comprar seus filmes e souvenirs, como no não menos brilhante case do “We Will Celebrate”, baseado em mkt viral. Sugiro mesmo que assistam os vídeos, hilários muitas vezes, apaixonantes sempre. Certamente mobilizou muitas vezes.

Mas qual o ponto mais importante da apresentação da Disney, que resolvi destacar: a preocupação número um em engajar pessoas. E daí o grande objetivo de tudo que vimos no WOMM-U. Afinal, boca-a-boca requer mesmo que pessoas tomem por conta própria o papel tão desejado de evangelistas de marcas e causas. Especialmente nas mídias sociais.

E para isso, o ponto pacífico em tantos bate-papos no WOMM-U é que não se pode abrir mão, como já citei, de ingredientes fundamentais como a autenticidade, o respeito e a possibilidade de abrir canais de conversa com as pessoas. E pessoas acreditam cada vez mais em outras pessoas e não mais apenas nas marcas. O título do post realmente faz sentido.

É um mau sinal para o modelo que vemos na propaganda tradicional, que sempre trabalha no limite do responsável, já que deve e recebe para falar bem a qualquer custo, sem mencionar aquele pontinho negativo que todo produto tem. Daí a diferença. É meio estranho pensar em começar uma campanha planejando responder pessoas sobre eventuais problemas ou insatisfações, mas em tempos 2.0 é por aí mesmo o caminho. Falar a verdade acima de tudo, entregar o máximo de relevância possível, ouvir e até agradecer o feedback. Ao menos na opinião de grandes marcas que estiveram presentes no WOMM-U.Como uma frase que ouvi “nem sempre um comentário ruim faz mal pra marca”.

Para fechar o resumo deste segundo dia, um painel que tratou de “Facebook ou MySpace ou dois” que deixou claro que não há mesmo uma ou outra rede que supre necessidades de qq campanha. Cada uma com seu potencial e como bem diz o tema do painel, as duas muitas vezes.

Queria fechar com um registro interessantíssimo que foi tema do último bate papo em Miami: a missão que o WOMMA encampa no sentido de aprimorar a legislação que regula a ação “autentica” de blogueiros e marcas nas mídias sociais. Sim, eles já tem uma legislação e já ligaram o módulo advanced. Taí um copy and past que deveríamos pensar sem pestanejar.

Até o próximo ano.

*Mais highlights do WOMM-U 2009? Busque por #womma e @moriael no twitter.

14 MAY 2009
13:04 GMT -0300

Womma 2009: Jabá 2.0 é tiro no pé

Por Moriael Paiva

Passar o dia no Womma, o mais importante evento sobre marketing boca-a-boca do mercado me trouxe algumas reflexões interessantes. Como o dia também mostrou que a objetividade americana vai bem, obrigado, vou direto ao ponto: jabá 2.0 tá mesmo por fora. Ou spam 2.0, como gosto de usar. Em suma, essa história de vender serviço com o nome bonito de “seeding” quando na verdade se trata de spam em mídias sociais é uma grande furada. Testada e detonada no mercado americano também.

O dia começou com uma belíssima explanação do Yelp (www.yelp.com), onde conversa online é literalmente a alma do negócio. Casos interessantes de marcas gigantes e minúsculas deixam claro que tamanho não é documento. Importa o que as pessoas pensam. É aí que entra a história do jabá 2.0. Se o lugar é sucesso porque a autenticidade é o grande ingrediente, como é que um post fake pode se sustentar? Quase óbvio, mas não o bastante pra acordar agências que não resistem à tentação de um faturamentozinho a mais.

Aliás, autenticidade e honestidade foram os termos mais citados quando o assunto são as mídias sociais. Não importa a marca, o produto, o motivo: seja honesto, promova a conversa, conecte pessoas. Fiquei feliz por sempre ter acreditado nessa fórmula mesmo.

Entre tantos cases da PepsiCo, Lenovo e outros, destaque para as ações da NBC para o Saturday Night Life, que abusam da simplicidade. Chega a ser óbvio, mas não menos brilhante. Afinal, um widget com conteúdo em vídeo não tem, a priori, nada demais. O planejamento dos caras e o acompanhamento baseado em métricas claras de sucesso é que tem. Ponto pra NBC.

E é sempre bom ouvir um pouco do que o povo do Youtube tem pra dizer. Em suma, a frase “Lo-Fidelity, high concept” é como uma fórmula mágica que muita gente insiste em não seguir. Mas é o que realmente “bomba” no YT desde sempre.

Pra fechar, um registro importante sobre o Womma: a quantidade de grandes empresas nos EUA com executivos para cuidar de social media. Certos de que isso é bem melhor que simplesmente largar na mão das agências. Preciso concordar que quem tá em casa sabe onde o calo aperta. Em tempos de consumidor antenado e que precisa de atendimento mais que vip, santo de casa é que pode fazer milagre.

Isso foi o primeiro tempo no Womma, em Miami. Um dia inteiro pra refletir sobre a importância de investir numa relação honesta, autêntica e relevante quando se espera que algo seja passado pra frente. Uma aula de marketing boca-a-boca e uma chacoalhada em quem ainda pensa em usar social media como meio propaganda 2.0.

Think contagious, be presente, participate, engage, be honest.

Amanhã tem mais.