31 MAY 2010
18:08 GMT -0300

Neurônios Espelhos

Por Bruno Scartozzoni

No nosso cérebro os neurônios espelhos são responsáveis pela imitação. Você vê alguém pegando um objeto no chão e, para esses neurônios, é como se você estivesse fazendo exatamente a mesma coisa, apesar de estar só observando.

Esse mecanismo conferiu ao ser humano uma habilidade de aprendizado muito grande. Imagine, lá no tempo das cavernas, que alguém acidentalmente descobre o processo do fogo. Ao invés de explicar para cada pessoa da tribo como funciona, basta que as pessoas observem para aprender, e logo o conhecimento se espalha de forma exponencial.

Mas não para por aí. Outro mecanismo interessante é que, por exemplo, ao vermos alguém ser tocado no braço, esses neurônios são ativados de forma a reproduzir a sensação do toque, exatamente no mesmo lugar. Em outras palavras, empatia. E isso  inclusive tem aplicações práticas na medicina, em casos de pessoas amputadas que continuam sentindo dor nos membros que não existem mais.

Se consegui te deixar curioso, não perca essa palestra do TED, de um neurocientista que defende a tese de que os neurônios espelhos praticamente moldaram nossa civilização.

Imagem de Amostra do You Tube

E para finalizar, dois pontos extra-vídeo:

1) Para quem trabalha com marketing e comunicação dá para imaginar como os neurônios espelhos são importantes para disseminar comportamentos de consumo. Por exemplo, uma nova forma diferente de abrir uma embalagem ou de usar um produto.

2) Já na área do cinema e da TV, os neurônios espelhos têm uma importância crucial para colocar o espectador dentro de um universo. Quando assistimos na tela um ator fazer alguma coisa, lá estão nossos neurônios espelhos sendo ativados, como se nós estivéssemos lá.

postado originalmente no Update or Die

O jornalista Evgeny Morozov tem uma tese muito interessante sobre ditaduras e internet. O assunto é denso, mas gostei tanto da palestra dele no TED que resolvi fazer esse post.

Atualmente paira no ar a noção de que a internet seria uma resposta pacífica para acabar com as ditaduras e abusos de poder ao redor do planeta. Em outras palavras, deveríamos jogar iPods, e não bombas, nesses países.

A lógica por trás disso é que todo chinês que esteja conectado ama a democracia e o liberalismo. Isso te parece certo? A mim não, pois acho perfeitamente possível que alguém use a internet para se comunicar com amigos e trocar arquivos sem ter nenhum tipo de intenção política.

Mas não para por aí. Da mesma forma que resistências pró-democracia podem usar a tecnologia para a causa, esquecemos que regimes autoritários podem fazer exatamente o mesmo para fomentar suas próprias ideologias.

Outro ponto interessante é que ditaduras podem sim deixar a internet livre, fazendo com que, aos olhos da opinião pública, isso seja confundido com democracia. Na esfera virtual pode-se discutir tudo, mas na prática nada muda.

E tem mais! Toda a movimentação dos contrários ao regime fica super exposta, sendo uma fonte de informação de valor inestimável para os órgãos de inteligência que trabalham para o ditador. É do Evgeny essa frase brilhante: Pelo facebook dá para saber como contrários ao regime se conectam. Antes a KGB torturava para pegar essa informação.

Resumindo, acesso a internet trás mudanças sociais, mas não necessariamente engajamento político. Dominate or die. ;-)

Imagem de Amostra do You Tube

originalmente postado no Update or Die

26 APR 2010
13:30 GMT -0300

O poder da tecnologia

Por Bruno Scartozzoni

Uma amiga foi dar uma aula de história da arte em uma faculdade meia boca e viveu um episódio engraçado (para não dizer trágico). Ela falava sobre manifestações artísticas ao longo do tempo, começando pela pintura rupestre, e ia sinalizando para a classe a relação disso com o avanço da tecnologia.

Aí um aluno levanta a mão e diz que não está entendendo nada, afinal, para ele, tecnologia é uma coisa nova já que os computadores surgiram muito depois da época em que nossa espécie morava em cavernas.

Então minha amiga educadamente explica que tecnologia e informática são conceitos diferentes, e que, muito antes dos microprocessadores, tinta e pincel já eram “tecnologia”.

Contei essa historinha para introduzir o vídeo abaixo do TEDxAmsterdam, onde Kevin Kelly, editor executivo da Wired, fala sobre o papel da tecnologia na sociedade humana.

Imagem de Amostra do You Tube

post originalmente publicado no Update or Die