… os macacos amadores de hoje podem … publicar qualquer coisa, de comentários políticos mal informados a vídeos caseiros de mau gosto, passando por música embaraçosamente mal-acabada e poemas, críticas ensaios e romances ilegíveis.

[A Wikipedia] é o cego guiando o cego – infinitos macacos fornecendo informação infinita para infinitos leitores, perpetuando o ciclo de desinformação e ignorância.

As frases acima estão no livro O Culto do Amador, cujo autor, Andrew Keen, é o convidado do TalkShow da sexta (29), 16h.

O resenhista do New York Times escreveu: “Esse livro polêmico, escrito com acuidade e paixão, discorre sobre as consequências de um mundo em que não é clara a linha divisória entre fato e opinião, entre informação de um especialista e especulação de amadores.”

Keen é leitura essencial por quem está no mercado online por dois motivos: ele é o cara cético que está do outro lado da mesa sempre que vamos apresentar nossos projetos e propostas e ele também é o cara que mais incisivamente nos confrontou com os problemas trazidos pela Web.

Duas pessoas que eu gosto muito e respeito me recomendaram esse livro em momentos diferentes, mas usando argumentos parecidos: o Wagner Fontoura e o André Avório.

O livro do Keen é a voz que corajosamente e/ou oportunisticamente criticou essa idéia de que a Web vai redimir a humanidade pela democratização do acesso à informação e ao conhecimento.

O Culto do Amador certamente não é um desses livros como Cauda Longa ou Wikonomics, cujas idéias ajudam nas reuniões de negócios por confirmar aquilo que se está vendendo. O objetivo da leitura do Keen [foto ao lado de Catherine Betts] não é concordar com o autor, apenas pensar no que ele diz.

Para quem não conhece e ainda não participou, o TalkShow é uma espécie de rádio 2.0 – você escuta o evento pela internet e participa pelo Twitter, fazendo perguntas e comentários. Aqui estão os podcasts das entrevistas anteriores.

O link para se acompanhar ao vivo o TalkShow é disponbilizado neste blog e pelo Twitter antes do evento. A hashtag para quem quiser acompanhar ou participar pelo Twitter é #talkshow.

É isso. Ajude a divulgar!

Semana passada rolou em Miami, nos EUA, o WOMM-U, uma “experiência educativa” realizada anualmente pela Word of Mouth Marketing Association – WOMMA ou, traduzindo, Associação de Marketing Boca-a-Boca. (Mais sobre marketing boca-a-boca.) Moriael Paiva, diretor executivo da Talk, participou do evento e produziu dois posts resumindo a experiência, um por dia – aqui e aqui.

Enquanto a experiência ainda está viva na memória do Moriael, achei legal convidar ele para participar do TalkShow nesta sexta, às 16h, para saber mais sobre o que rolou no evento deste ano, quais cases e palestras foram destaque, quais conceitos e estrategias foram mais discutidos no boca-a-boca nos intervalos. Veja alguns pontos que chamaram a atenção do Moriael:

>> jabá 2.0 tá mesmo por fora. Ou spam 2.0, como gosto de usar. Em suma, essa história de vender serviço com o nome bonito de “seeding” quando na verdade se trata de spam em mídias sociais é uma grande furada.

>> “People no longer trust brands”. A frase foi cunhada por Duncan Wardle, Vice President, Global PR Integration & WDW PR da Disney. Ela veio logo após uma afirmação importante, que foi a grande palavra pronunciada no WOMM-U: autenticidade. Que aliás, ganhou por muito pouco do termo “engagement”.

O cientista político Fernado Guarnieri foi o convidado da semana passada do Talk Show. Diferente dos eventos anteriores, este teve, além da entrevista, uma apresentação sobre análise de redes sociais – clique nos links para acessar os podcasts.

A conversa com o Fernando durou quase três horas e por isso dividi o audio em duas partes: a apresentação em si e a conversa do Fernando antes e depois da palestra.

Quem não pode acompanhar a palestra, poderá abrir o audio e seguir a apresentação publicada no SlideShare. Já pela entrevista você vai conhecer a trajetória do Fernando, saber como ele chegou a esse assunto, quem mais faz pesquisas na área no Brasil e fora, além de seguir as perguntas e respostas feitas por quem assistiu a palestra.

Sobre o assunto

A gente que trabalha com internet fala muito de rede social, mas pouca gente saberia dizer com precisão o que é uma rede social da perspectiva das ciências sociais – que é onde o termo foi elaborado.

Rede social não tem necessariamente a ver com internet, existe muito antes da descoberta do computador digital e existem muitos profissionais que usam a técnica de análise de rede social para projetos que não tem a ver com Web.

A análise de redes sociais é uma técnica quantitativa, parente próxima da estatística. Ele começa com uma coleta de dados para se localizar como a informação circula dentro do grupo, essa informação gera uma imagem chamada de “sociograma” (imagem acima) e a partir disso é possível fazer inferências sobre o funcionamento do grupo.

A análise de redes sociais pode ser um santo remédio para empresas com problemas de gestão, uma espécie de raio X do funcionamento da organização, mas, ao mesmo tempo, pode criar embaraços. Não é raro, por exemplo, a análise mostrar que subordinados têm mais poder de decisão do que seus chefes.

PS. O host de podcasts que usamos desde o começo do TalkShow é um serviço gratuito chamado MyPodcast. Eles parecem estar atravessando algum tipo de problema técnico, muita gente está reclamando de falhas no carregamento do audio. Em função disso, mudamos temporariamente para um serviço novo, mas as sessões anteriores do TalkShow continuam no endereço original.