Lançada no último dia 24 de agosto, uma ferramenta para o Orkut tem tudo para ser um inferno e um paraíso ao mesmo tempo: agora você pode criar grupos de amigos e mandar um scrap para toda a sua lista. Nada mais natural para o site de relacionamento mais controverso do universo.

O título do post que apresenta o lançamento é animador: You’re not always the same person. Why should it be any different on the web?

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Quer verdade mais verdadeira do que essa? Até agora nenhuma ferramenta de mídia social que eu conheço tinha trabalhado esta questão da “privacidade” dos grupos. Todas elas, como diz o post, classificam os seus contatos como “amigos”. Algumas até têm macro-categorias, como “conhecido”, “amigo”, “família” e coisa do tipo, mas nenhuma permitia a criação das “panelas” de verdade. É o Orkut aprendendo, finalmente, o valor do clustering.

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Até porque, de fato, nem todo mundo que você segue é seu amigo, certo? E mais, nem todos os seus amigos são o mesmo tipo de amigo. O presidente da empresa onde você trabalha é seu amigo do mesmo jeito que o seu parceiro do futebol? Ou o estagiário é tão seu amigo quanto o seu irmão? E sua sogra é tão sua família quanto seu pai? Não, né?

E se não são, porque cargas d’água todos eles recebem as mesmas mensagens e podem ver as mesmas fotos, vídeos e posts do seu perfil? O “grupos de amigos” é a solução.

Nota mental: A grande perda para a sociedade, ao meu ver, será a redução do sentimento de “Big Brother” que o Orkut nos dá. Descobrir se a sua paquera foi a uma festa, ou se está conversando com a mulher mais safada da faculdade via scrap, vai ficar mais difícil. Descobrir detalhes da vida, dos gostos, das escolhas de cada pessoa vai ser um tormento. É um duro golpe na tal “Etnografia Digital” que gosto tanto de praticar nos processos seletivos :)

Seria o fim da diversão dos processos seletivos? Espero que não!

Seria o fim da diversão dos processos seletivos? Espero que não!

Mas não é só isso!!! O pacote completo das melhorias incluem o controverso scrap-spam. Coisa que só funcionava usando programinhas agora está na cara e você já pode mandar scraps para os grupos de amigos ou para todos os seus amigos. É prático, sem dúvida, mas é perigoso! To até imaginando como vai ficar meu scrapbook daqui a alguns dias.

O post também promete mais novidades em breve em áreas de jogos, aniversário, comunidades e últimos visitantes. Dá até medo.

Navegando por aí acabei encontrando uma rede social que eu não conhecia, a Storybird. Trata-se de um tipo de Slideshare com um foco super específico, histórias ilustradas para crianças.

Ao invés de apresentações, os usuários podem ler, criar e compartilhar histórias infantis em formato de livro digital. O site disponibiliza um monte de ilustrações bacanas, aí é só juntar com o texto e pronto.

Sou um pouco desconfiado com essa proliferação de redes sociais de nicho pra cá e pra lá, mas penso que essa atenda duas necessidades  do ser humano que nenhuma outra atende:

1) É uma fonte bem grande para pais e professoras contarem histórias para seus filhos e alunos respectivamente.

2) É um meio pelo qual escritores de histórias infantis podem se expressar e mostrar seu trabalho.

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postado originalmente no Update or Die

A forma como o mercado de comunicação percebe e utiliza as redes sociais na primeira década do século XXI sempre me chamou a atenção. Um tratamento massificador de organismos essencialmente autênticos que me causa estranhamento, tanto quanto a fotografia e o cinema causaram a Walter Benjamin, em relação à obra de arte.

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