O cientista político Fernado Guarnieri foi o convidado da semana passada do Talk Show. Diferente dos eventos anteriores, este teve, além da entrevista, uma apresentação sobre análise de redes sociais – clique nos links para acessar os podcasts.

A conversa com o Fernando durou quase três horas e por isso dividi o audio em duas partes: a apresentação em si e a conversa do Fernando antes e depois da palestra.

Quem não pode acompanhar a palestra, poderá abrir o audio e seguir a apresentação publicada no SlideShare. Já pela entrevista você vai conhecer a trajetória do Fernando, saber como ele chegou a esse assunto, quem mais faz pesquisas na área no Brasil e fora, além de seguir as perguntas e respostas feitas por quem assistiu a palestra.

Sobre o assunto

A gente que trabalha com internet fala muito de rede social, mas pouca gente saberia dizer com precisão o que é uma rede social da perspectiva das ciências sociais – que é onde o termo foi elaborado.

Rede social não tem necessariamente a ver com internet, existe muito antes da descoberta do computador digital e existem muitos profissionais que usam a técnica de análise de rede social para projetos que não tem a ver com Web.

A análise de redes sociais é uma técnica quantitativa, parente próxima da estatística. Ele começa com uma coleta de dados para se localizar como a informação circula dentro do grupo, essa informação gera uma imagem chamada de “sociograma” (imagem acima) e a partir disso é possível fazer inferências sobre o funcionamento do grupo.

A análise de redes sociais pode ser um santo remédio para empresas com problemas de gestão, uma espécie de raio X do funcionamento da organização, mas, ao mesmo tempo, pode criar embaraços. Não é raro, por exemplo, a análise mostrar que subordinados têm mais poder de decisão do que seus chefes.

PS. O host de podcasts que usamos desde o começo do TalkShow é um serviço gratuito chamado MyPodcast. Eles parecem estar atravessando algum tipo de problema técnico, muita gente está reclamando de falhas no carregamento do audio. Em função disso, mudamos temporariamente para um serviço novo, mas as sessões anteriores do TalkShow continuam no endereço original.

Na última terça-feira eu descobri, depois de passar mais de uma hora conversando via Skype com Pedro Dória sobre os dilemas da comunicação depois da internet, que o gravador do meu laptop – por distração minha – não tinha gravado a voz dele. Mas ele topou repetir a dose e fizemos, nesta sexta, um segundo round para retomar e aprofundar os principais temas da entrevista. Ouça ou baixe o podcast aqui.

Novo projeto – Poucas pessoas podem dizer, especialmente no Brasil, que têm 20 anos de experiência usando a Web. Ele pode, e está voltando ao Brasil – depois de 10 meses na Universidade de Stanford no Vale do Silício – com um projeto novo, o site Pandorama.com.br, lançado há duas semanas.

O Pedro está colocando no Pandorama tudo o que ele viveu e aprendeu desde 1989 com gestão de comunidades em ambientes de rede, jornalismo on e offline e mais as experiências internacionais que ele já acompanhava e tem visto mais de perto por causa do programa de estudo nos Estados Unidos.

Abrir o debate – O desafio dele é promover conversas. Ele quer que o Pandorama seja o espaço não das certezas, mas do debate, das trocas e das negociações de idéias.A internet não necessariamente promove o diálogo e um exemplo disso, apontado por ele, é a dinâmica que existe entre os blogs dos jornalistas Paulo Henrique Amorim e Reinaldo Azevedo – um sempre parte do princípio que o outro esteja jogando sujo e ninguém ganha, cada um fica com a própria verdade.

(Ouvindo o Pedro falar disso, não consegui não pensar no amigo Luiz Algarra e na trupe que, com ele, toca o coletivo Papagallis. O Algarra, também jornalista experiente, abandonou um projeto de trazer a empresa de redes sociais Ning para o Brasil para se dedicar a promover dinâmicas presenciais de conversação.)

Com duas semanas de vida, o Pandorama já enfrentou sua primeira prova. Por conta da possível visita ao Brasil do presidente do Irã, houve uma polêmica entre dois colunistas do coletivo e um deles, o autor do blog Biscoito Fino, escolheu se desligar do projeto.

A rede mesmo para quem está fora dela – Fiquei muito animado na semana passada quando fiquei sabendo do Pandorama e compartilho o otimismo do Pedro em relação à importância que o site poderá ter, especialmente a 18 meses da próxima eleição presidencial no Brasil. Acho que o Pandorama terá menos preconceito de levar ao leitor com menos familiaridade com a internet os comentários e informações mais relevantes circulando entre blogueiros e sites de redes sociais. Aí está a joia.

Dilemas e alternativas para o jornalismo – Numa das passagens mais instrutivas da conversa, Pedro apresentou alguns casos norte-americanos que estão servindo de referência para ele construir conceitualmente o Pandorama. A nova maneira de se fazer notícia, por exemplo, passa por estabelecer vínculos com uma comunidade de usuários que compartilham com os jornalistas a tarefa de dar idéias, fazer conexões e mesmo apurar dados.

Também foi bacana ouvir dele, do ponto de vista técnico, o que está dificultando a passagem dos jornais impressos para a Web. Tratar de informação no contexto da internet envolve pensar que empacotá-la dentro de grandes blocos temáticos  – como política, economia, esportes, etc – não é mais prático para o público.

Efeito Obama não é só tecnologia - No final da conversa falamos sobre o impacto da internet na política. O Pedro acha que a ficha ainda não caiu para os políticos – e nem vai cair facilmente – sobre o poder que o indivíduo tem com equipamentos de registro digital e com a força da distribuição boca a boca expandida pela Web. Partidos e candidatos estão ansiosos para importar a campanha do Obama, mas desprezam que o sucesso dessa campanha não vem só com pessoas operando ferramentas, mas também e principalmente da percepção desse novo cenário pelo candidato.

O post já está longo e só apontei superficialmente alguns dos temas da conversa. Vale a pena escutar o podcast e também acompanhar de perto a evolução deste projeto que praticamente já nasce sendo um case.

Cazé Peçanha e Pedro Doria

Cazé Peçanha e Pedro Doria

Na semana passada o internauta brasileiro teve duas boas notícias: o anúncio da nova versão do Gengibre, um site parecido com o Twitter que funciona com mensagens de voz, e o lançamento do Pandorama, um coletivo de blogs encabeçado pelo jornalista Pedro Doria.

Fiquei sabendo dessas duas novidades via Twitter graças ao @inagaki e já agradeço a ele pelas dicas. O passo seguinte foi convidar o Cazé Peçanha, do Gengibre, e o Pedro Dória para falarem sobre seus projetos no TalkShow. Os dois toparam, então, já estamos divulgando para quem quiser participar, já anotar na agenda e avisar seus amigos.

O Pedro provavelmente participará na terça-feira (05/05). Ele mesmo propôs a data e estou esperando ele responder o último email dizendo quais horários ele tem disponíveis para a conversa. O Cazé vai falar com a gente no dia seguinte, quarta, dia 6, às 16h.

Para quem ainda não conhece, o TalkShow é o podcast interativo da Talk. As entrevistas são transmitidas ao vivo pela Web e quem quiser pode interferir comentando ou perguntando via Twitter.

Crédito das fotos: f mafra clicou o Cazé e Campus Party o Pedro, ambas registradas com licença Creative Commons.