Pandorama: a riqueza da rede para todos os públicos
Na última terça-feira eu descobri, depois de passar mais de uma hora conversando via Skype com Pedro Dória sobre os dilemas da comunicação depois da internet, que o gravador do meu laptop – por distração minha – não tinha gravado a voz dele. Mas ele topou repetir a dose e fizemos, nesta sexta, um segundo round para retomar e aprofundar os principais temas da entrevista. Ouça ou baixe o podcast aqui.
Novo projeto – Poucas pessoas podem dizer, especialmente no Brasil, que têm 20 anos de experiência usando a Web. Ele pode, e está voltando ao Brasil – depois de 10 meses na Universidade de Stanford no Vale do Silício – com um projeto novo, o site Pandorama.com.br, lançado há duas semanas.
O Pedro está colocando no Pandorama tudo o que ele viveu e aprendeu desde 1989 com gestão de comunidades em ambientes de rede, jornalismo on e offline e mais as experiências internacionais que ele já acompanhava e tem visto mais de perto por causa do programa de estudo nos Estados Unidos.
Abrir o debate – O desafio dele é promover conversas. Ele quer que o Pandorama seja o espaço não das certezas, mas do debate, das trocas e das negociações de idéias.A internet não necessariamente promove o diálogo e um exemplo disso, apontado por ele, é a dinâmica que existe entre os blogs dos jornalistas Paulo Henrique Amorim e Reinaldo Azevedo – um sempre parte do princípio que o outro esteja jogando sujo e ninguém ganha, cada um fica com a própria verdade.
(Ouvindo o Pedro falar disso, não consegui não pensar no amigo Luiz Algarra e na trupe que, com ele, toca o coletivo Papagallis. O Algarra, também jornalista experiente, abandonou um projeto de trazer a empresa de redes sociais Ning para o Brasil para se dedicar a promover dinâmicas presenciais de conversação.)
Com duas semanas de vida, o Pandorama já enfrentou sua primeira prova. Por conta da possível visita ao Brasil do presidente do Irã, houve uma polêmica entre dois colunistas do coletivo e um deles, o autor do blog Biscoito Fino, escolheu se desligar do projeto.
A rede mesmo para quem está fora dela – Fiquei muito animado na semana passada quando fiquei sabendo do Pandorama e compartilho o otimismo do Pedro em relação à importância que o site poderá ter, especialmente a 18 meses da próxima eleição presidencial no Brasil. Acho que o Pandorama terá menos preconceito de levar ao leitor com menos familiaridade com a internet os comentários e informações mais relevantes circulando entre blogueiros e sites de redes sociais. Aí está a joia.
Dilemas e alternativas para o jornalismo – Numa das passagens mais instrutivas da conversa, Pedro apresentou alguns casos norte-americanos que estão servindo de referência para ele construir conceitualmente o Pandorama. A nova maneira de se fazer notícia, por exemplo, passa por estabelecer vínculos com uma comunidade de usuários que compartilham com os jornalistas a tarefa de dar idéias, fazer conexões e mesmo apurar dados.
Também foi bacana ouvir dele, do ponto de vista técnico, o que está dificultando a passagem dos jornais impressos para a Web. Tratar de informação no contexto da internet envolve pensar que empacotá-la dentro de grandes blocos temáticos – como política, economia, esportes, etc – não é mais prático para o público.
Efeito Obama não é só tecnologia - No final da conversa falamos sobre o impacto da internet na política. O Pedro acha que a ficha ainda não caiu para os políticos – e nem vai cair facilmente – sobre o poder que o indivíduo tem com equipamentos de registro digital e com a força da distribuição boca a boca expandida pela Web. Partidos e candidatos estão ansiosos para importar a campanha do Obama, mas desprezam que o sucesso dessa campanha não vem só com pessoas operando ferramentas, mas também e principalmente da percepção desse novo cenário pelo candidato.
O post já está longo e só apontei superficialmente alguns dos temas da conversa. Vale a pena escutar o podcast e também acompanhar de perto a evolução deste projeto que praticamente já nasce sendo um case.

