Ontem, durante a transmissão do TalkShow semanal, fomos surpreendidos com a divulgação do site espelho ou “versão 2.0″ do Blog do Planalto – http://planalto.blog.br. Foi uma jogada de gênio e dá a noção de como a classe política ou não entendeu a internet ou entendeu bem e está preocupada.

O resumo da história é: a equipe do grupo chamado Esfera registrou o domínio “Planalto” com a extensão “.blog.br” – aqui eles explicam o processo. O resultado é que o endereço fica muito parecido com o do blog oficial, que é: http://blog.planalto.gov.br

E mais: eles pegaram o feed de RSS do blog oficial e usaram esse conteúdo para alimentar o blog-espelho. Isso acontece automaticamente de maneira que tudo o que vai para um aparece também no outro. A única diferença é que na versão extra oficial a funcionalidade de comentário está habilitada.

A idéia do grupo foi brilhante inclusive porque foi feita dentro da legalidade e com ferramentas disponíveis gratuitamente e relativamente fáceis de serem operadas. Como o conteúdo do blog está registrado com uma licença Creative Commons, qualquer pessoa pode reutilizá-lo sem precisar pedir autorização.

O que a Esfera demonstrou com esta ação é que um grupo de pessoas pode, sem precisar pedir licenca e respaldado pela Lei, contradizer uma determinação estabelecida pela estrutura de comunicação dentro do Palácio do Planalto.

Estou curioso para saber se o Planalto tomará alguma providência a respeito, mas, pelo visto, sua única alternativa é descer a rampa e debater suas posições. Por que não quer abrir o espaço para comentários? Esse é o exemplo que se quer dar em relação à postura diante da Web?

Recomendações para gestão de comentários

Foi alegado que o blog não aceita comentários porque a equipe de seis pessoas que o administra não teria tempo para se dedicar a essa função. Não vou opinar sobre como a equipe deve se organizar, mas considero que esse blog teria muito mais relevância se fosse um espaço para o debate, se seu proposito fosse dialogar e prestar contas à sociedade.

A equipe que gerencia o blog sabe como isso gerir comentários em blogs. Não há novidades nisso. A primeira coisa a se fazer é definir quais as regras de funcionamento dos debates dentro do espaço. Em síntese, esse documento deve deixar claro que não deve haver ofensas de qualquer tipo e explicar as consequencias para quem nao seguir as regras.

A equipe pode estabelecer que haja moderação prévia, ou seja, que nada apareça nos comentários sem que antes seja aprovado, mas se for para dar o exemplo, eles deveriam abrir o canal e moderar depois, para não deixar dúvidas da disposição de ser transparente.

Finalmente, eles podem estabelecer algum nível de registro para diferenciar as pessoas que quiserem ser identificadas daquelas que escolhem se manifestar anonimamente. O usuário deve ter as duas possibilidades: se identificar ou proteger sua identidade. E os outros participantes poderão levar em consideração esse dado na hora de julgar e analisar cada comentário.

É isso. E depois desta semana, fico ainda mais empolgado para o que poderá acontecer no ano que vem, ano eleitoral, com a sociedade podendo, mais do que nunca, se comunicar e cobrar seus representantes eleitos.

13 AUG 2009
17:52 GMT -0300

Por que ler o guia do Twitter?

Por Juliano Spyer

capa do livro: Tudo o que você precisa saber sobre TwitterO guia do Twitter deve ultrapassar a marca de 10 mil downloads ainda hoje, três dias depois do lançamento. A promoção tem acontecido principalmente pelo serviço, com pessoas espontaneamente recomendando o livro. Abaixo, algumas dessas mensagens:

tlramires: gostei da abordagem “pessoa física” e “negócios, jornalismo e política” no livro, são dois fortes usos da ferramenta

luucasdiniz: Depois que eu deu uma olhadinha naquele manual do twitter percebi a grandiosidade dessa coisa aqui

e_loi: já baixei o meu #guiatwitter vem com bem sacadas reflexões sobre a vida de brinde.

nanny_cris: Finalmente, consegui fazer o FindPeople funcionar e encontrei alguns amigos… Graças ao #guiatwitter!!! Obrigada!!!

fabianamotroni: Tem jornalista precisando ler #guiatwitter! Record Noticias sobre Susana Richthofen: Twitter é uma especie de ‘blog virtual’ via @miltonjung

nandopp: legal o #guiatwitter “…Não traz mensagens publicitárias, mas informação e permite que o atendimento aos interessados já comece online…”

nanda_nogueira: Só o prefácio desse livro já me fisgou completamente.Mais um e-livro perfeito, parabéns

stpcordeiro: RT Pra mandar pros amigos q vivem perguntando o q é Twitter #guiatwitter http://migre.me/4XGF

felipefdeaguiar: “Show simples e pratico” #guiatwitter

@compreeletro: Gostaríamos de Parabenizá-lo pelo Guia que está sendo de fundamental importância para nossos Negócios.

silvia_bianchi: Amei #guiatwitter – resolvendo problemas…. hahaha

antigo: Se o #guiatwitter do tivesse sido lançado no primeiro semestre eu teria concluído a monografia a tempo. DROGA!

A maior parte da população brasileira (64%) não sabe usar um mecanismo de busca para achar informação, nem enviar e-mails com arquivos anexados, nem enviar mensagens em salas de bate-papo e fóruns de discussão, nem usar um programa de compartilhamento de arquivos para trocar filmes ou música, nem baixar e instalar softwares, nem usar a Internet para realizar ligações telefônicas, muito menos criar uma página na Internet. Este é um dos resultados da Pesquisa sobre o Uso das Tecnologias da Informação e da Comunicação no Brasil 2008, produzida todos os anos pelo Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (Cetic) do Comitê Gestor da Internet no Brasil.

A falta de habilidade em atividades de navegação como estas (corriqueiras para quem trabalha com Internet) está até mesmo impedindo as pessoas de acessar a rede! Com a pergunta Por que você nunca utilizou a internet?, foram entrevistadas na mesma pesquisa pessoas que já usam o computador e que nunca navegaram. E o que a maioria das pessoas respondeu foi: é muito difícil. 61% dos entrevistados nunca acessou a Internet por falta de habilidade com o computador e com a própria Internet. Além disso, (arautos da revolução digital, preparem seus corações) 44% das pessoas opinaram que não navegam por falta de necessidade ou interesse. Só depois aparecem motivos econômicos (não têm condições de pagar o acesso) e de infraestrutura (não têm onde acessar).

Estes dados mostram como estamos longe de uma verdadeira democratização do acesso à Internet, e consequentemente do acesso à informação, no Brasil. Estas e outras estatísticas sobre o uso das tecnologias da informação no país podem ser encontradas na pesquisa do Cetic, que entrevista domicílios, indivíduos e empresas. Os dados são bem completos e apresentados em séries históricas. São utilizados os padrões metodológicos internacionais da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) e da Eurostat (Instituto de Estatísticas da Comissão Européia). As análises abordam o uso de celulares e computadores, governo e comércio eletrônicos em todo o território nacional, inclusive nas áreas rurais.

A ilustração do dragão é de Nicholas Colin Webb.