Uma pequena granada no fetiche da liberdade
Andrew Keen apimentou a tarde da última sexta-feira, dia 29 de maio, com suas provocações sobre o crescimento das novas mídias. No Talkshow (ouça aqui a íntegra), o crítico cultural colocou em debate a transparência da web 2.0, os sistemas de produção de conteúdo baseados em reputação, a atuação dos profissionais de Relações Públicas e o culto da inocência.
“Esta revolução é mais sangrenta e mais complicada que à primeira vista”. Com estas palavras Keen resume sua posição de ceticismo ante as maravilhas anunciadas com advento da internet.
Ele chamou atenção para a falta de clareza com que os produtores de conteúdo das novas mídias se posicionam. “Nós sabemos quem está por trás do New York Times. Nós sabemos quem está por trás do Wall Street Journal. Nós sabemos quem está por trás da Fox Television. O problema de muita coisa na internet e na web 2.0 é que, como não há intermediários nem gatekeepers, nós nunca sabemos quem está fazendo o que, nós nunca temos certeza do que é propaganda ou não, ou dos verdadeiros interesses das pessoas”.
Para o consumidor final da informação, quase tudo na internet é de graça. Keen aponta então dois efeitos desse “almoço grátis”: em primeiro lugar, uma maior dependência dos anunciantes, e em segundo lugar, a falta de estímulo aos talentos. Dar o resultado do seu trabalho de graça, para ele, acaba com a dignidade de um artista ou escritor. Além disso, obriga-os a serem constantemente Relações Públicas de si mesmos, pois já não contam com o apoio de instituições como editoras ou meios de comunicação tradicionais. A internet também não dispensa ninguém do esforço: “Nem todo mundo pode ser um escritor. Nem todo mundo pode ser diretor de cinema. Ter a tecnologia ao seu alcance não faz de você um artista”.
A democratização radical, um sistema completamente livre, para Keen, vai dar espaço para uma aristocracia virtual, um pequeno grupo controlando o que é divulgado na rede. A grande dúvida do crítico é: a internet está minando as estruturas das mídias tradicionais, mas como será o próximo modelo de comunicações?
Ouça aqui as opiniões de Andrew Keen:


