você já chorou no trabalho?
Ontem li um artigo em que Harold Kerzner, estudioso de Gestão de projetos, afirmou “Se nós voltássemos 15 ou mais anos atrás, colocaríamos a culpa por todas as falhas ao pobre planejamento, cronograma e controle de custo. Hoje, minha crença é que a maioria das falhas é mais resultado dos fatores comportamentais do que fatores quantitativos. Isso inclui questões como baixa moral, fraco trabalho em equipe, falta de comunicação efetiva, baixa motivação e o trabalho para um gerente de projetos que não tem interesse em crescer, prezar pela saúde e bem-estar da equipe”. Claro, isso não implica em dizer que não deva haver um bom planejamento. Este é básico. A questão aqui é outra. O que entra aqui é, basicamente, o papel que o líder tem de lidar com comportamentos e emoções de um time, de parceiros, superiores, clientes e… seus próprios.
Desde que surgiu o livro de Daniel Goleman, em 1995, com o termo Inteligência Emocional (conceito aliás que vinha sendo estudado desde Darwin) o assunto entrou em voga. Porém, aparentemente, parou por aí. Emoções, sentimentos, frustrações, esperanças e tantos outros termos são quase proibidos dentro das empresas. Se não formalmente, com certeza não são vistos com bons olhos. Quantas vezes, na sua avaliação ou principalmente fora dela, você foi questionado pelo seu superior: você está feliz aqui? Ou quantas vezes você se sentiu à vontade em uma reunião para dizer na frente de todos: trabalhar desta forma me deixa triste e frustrado? Provavelmente poucas.
A verdade é que desde que surgiu a hipótese de vários tipos de inteligência, uma coisa se sabe: perceber o outro, expressar emoções, compreender emoções assim como controlá-las são habilidades valiosas. E devem ser aplicadas no ambiente profissional. Parece óbvio, já que somos pessoas e parece estar falida a idéia de separar a tal “vida profissional” da “vida pessoal”. Talvez antes de pensarmos se é possível fazer tal separação, seja mais importante perguntarmos “para quê?”
Apesar do termo “Inteligência emocional”não ser considerado científico principalmente por não haver uma forma de medir esta habilidade, o ponto aqui não é exatamente este. O ponto é que nossas emoções fazem parte da gente e fazem parte do nosso trabalho também. E isso precisa ser considerado.
Para gerenciar bem é preciso gostar de pessoas e se interessar por elas. É preciso “ler”pessoas, perceber ao invés de olhar apenas. É preciso demonstrar as suas emoções também. Isso não quer dizer que o líder deva ser complascente, evitar conflitos, ser político ou criar um clima de felicidade constante. Está mais relacionado a agir com maturidade e por inteiro. Ser profissional não exclui ser humano.
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Bila,
Essa é uma questão muito atual. Como expor nossas emoções, sentimentos e até opiniões sem nos prejudicar profissionalmente.
“Ser profissional não exclui ser humano”, essa idéia ainda é tão incomum..que por muitas vezes ouvi e disse – Fulano é diferente. Ele é muito humano no jeito de liderar!
Gostei do texto e do tema ..foi uma boa surpresa!Pam | 27/05/2009 às 17:29 -
Obrigada, Pam! Sim, este tema ainda é tratado superficialmente pela maioria das organizações. E talvez elas estejam perdendo uma força mobilizadora transformadora ao tentarem enquadrar espontaneidade, criatividade e autenticidade num padrão de comportamento ultrapassado e frustrante. Obrigada por ter aparecido aqui e contribuido! :)
Bila Amorim | 28/05/2009 às 20:07
