Ditaduras e Internet não são incompatíveis
O jornalista Evgeny Morozov tem uma tese muito interessante sobre ditaduras e internet. O assunto é denso, mas gostei tanto da palestra dele no TED que resolvi fazer esse post.
Atualmente paira no ar a noção de que a internet seria uma resposta pacífica para acabar com as ditaduras e abusos de poder ao redor do planeta. Em outras palavras, deveríamos jogar iPods, e não bombas, nesses países.
A lógica por trás disso é que todo chinês que esteja conectado ama a democracia e o liberalismo. Isso te parece certo? A mim não, pois acho perfeitamente possível que alguém use a internet para se comunicar com amigos e trocar arquivos sem ter nenhum tipo de intenção política.
Mas não para por aí. Da mesma forma que resistências pró-democracia podem usar a tecnologia para a causa, esquecemos que regimes autoritários podem fazer exatamente o mesmo para fomentar suas próprias ideologias.
Outro ponto interessante é que ditaduras podem sim deixar a internet livre, fazendo com que, aos olhos da opinião pública, isso seja confundido com democracia. Na esfera virtual pode-se discutir tudo, mas na prática nada muda.
E tem mais! Toda a movimentação dos contrários ao regime fica super exposta, sendo uma fonte de informação de valor inestimável para os órgãos de inteligência que trabalham para o ditador. É do Evgeny essa frase brilhante: Pelo facebook dá para saber como contrários ao regime se conectam. Antes a KGB torturava para pegar essa informação.
Resumindo, acesso a internet trás mudanças sociais, mas não necessariamente engajamento político. Dominate or die.
originalmente postado no Update or Die
