Os três pilares que sustentam um arquiteto de informação
Há poucos dias atendi a um convite de uma amiga, que é professora na Universidade de Brasília, para participar de um ciclo de palestras sobre arquitetura de informação para alunos de comunicação. Falei da relação da Arquitetura com o jornalismo, mas reservei uma parte para dizer, na minha opinião, o que um arquiteto de informação deve ter.
Eu me lembro quando precisava recrutar alguém e tinha que me guiar por características que indicavam um perfil de um potencial arquiteto, pois simplesmente não tinha profissionais no mercado. Por conta dessa busca e das inúmeras entrevistas, ficou claro que esse perfil tinha algumas características marcantes que podem claramente ser divididas em três áreas de sustentação: organização, comunicação e sensibilidade.
Como são pilares, eles devem ter a mesma altura e o equilíbrio é dado justamente por serem três. Não que o três seja um número cabalístico, mas é sempre bom lembrar que um plano é definido por três pontos, nem mais nem menos.
Organização
Um dom necessário para os arquitetos é a organização. Ele precisa saber colocar o conteúdo nas suas respectivas caixinhas. Mas não é só arrumar as caixinhas, elas têm que estar em ordem, as que vão ser mais usadas devem ficar na frente, o tamanho de cada uma deve ser adequado para guardar seu conteúdo. E o mais importante, elas tem que ter a cara do que está lá dentro, sem que dê alguma chance para dúvidas.
As palavras de ordem gravadas neste pilar são: classificação, hierarquização e diagramação.
Comunicação
Um bom arquiteto é um bom comunicador, não obrigatoriamente um ser comunicativo, mas ele saberá eliminar os ruídos do processo de comunicação entre o emissor (dono do site) e o receptor (internauta). Isso tudo com o agravante de acontecer por meio de uma interface, onde não há aquele contato visual, o feedback instantâneo.
É imprescindível para esse arquiteto que ele saiba conduzir a mensagem pelo site ou ação online de forma direta, sem obstáculos até o objetivo. A mensagem também tem que ser entendida sem margens para interpretações ou possibilidade de múltiplas conclusões.
Aqui, as palavras-chaves são: clareza, concisão e coerência.
Sensibilidade
Por fim, um arquiteto é um bom samaritano. Ele tem que estar atento às pessoas e às coisas que o cercam. Seu foco deve estar no usuário. É importante conhecer as características e comportamentos das pessoas que vão usar aquela peça. Um arquiteto não deve pensar em si na hora de planejar uma experiência interativa, a não ser que ele faça parte do público definido para o projeto. Ele também tem que ser curioso, procurar conhecer a internet, fuçar em sites de todo o gênero, testar e testar ferramentas. A vivência das diversas experiências leva ao conhecimento e estimula a criatividade.
Três palavras aparecem gravadas nesse último pilar: autruísmo, psicologia e experimentação.
Sempre que apareciam essas características em um candidato, poucos meses depois surgia um grande arquiteto, cada um com seus traços marcantes, mas todos sustentados pelos mesmos pilares.
