Digital Age 2.0 – resumo do que vi e ouvi 2
Ufa! Foram 2 dias intensos (Digital Age de dia, emails pendentes e trabalho à noite), mas compensou. E agora, o melhor: contar o que vi e ouvi no 2o. e último dia do evento.
Vou começar falando da palestra de Michel Lent (@lent) da Ogilvy. Basicamente o raciocínio dele é: acabou o “share of mind” e agora a expressão de ordem é “share of time”. Aproveite o tempo livre do consumidor com conteúdo e/ou serviço relevante e ele vai dedicar tempo à sua marca. Exemplo? O próprio twitter. Ninguém tem tempo pra nada, mas encontramos tempo para tuitar.
O destaque no debate chamado “No mundo das múltiplas telas, para onde se estende a publicidade digital?” foi João Ciaco, Diretor de Marketing da Fiat, que nos contou que a montadora investe 15% do total de verba de publicidade e marketing nos meios digitais. A empresa investe mais em comunicaçao digital do que em Tv a cabo, revistas, jornais. Este número supera em 3 vezes a média brasileira e, atenção empresários, ele não só está satisfeito com os resultados como afirma que as redes sociais são capítulo importante na estratégia GERAL de comunicação da Fiat (não apenas na estratégia de comunicação digital).
E sua frase mais reveladora: o consumidor não é fim, ele é meio, ele é a própria mídia.
A diversão do dia ficou por conta do painel “Inteligência Coletiva: A crise da mídia tradicional. Quem vai publicar as notícias que vão alimentar a conversa?”
Este debate foi interessante. Dois contrastes no palco: de um lado Mariza Tavares (Diretora executiva da CBN) e Caio Túlio Costa (consultor e jornalista) e de outro, Hélio Gurovitz (Revista Época) e Ricardo Gandour (Estado de São Paulo).
Mariza Tavares demonstrou ter entendido, assimilado e gostado bastante dos rumos que o papel da mídia tem seguido. Não só falou que “cada vez mais, ser jornalista é um exercício de humildade”, como também explicou que “o ouvinte da CBN é uma comunidade sem território delimitado”. Esta foi a frase mais “convergente”do evento. Ela entendeu que ouvinte está dentro do carro e ouve CBN pela rádio ou está no trabalho e ouve o podcast, ou… x! Ou seja, parece que já se desprenderam do meio, estão preocupados com a relevância do conteúdo.
Hélio Gurovitz defendeu que a imprensa “tradicional” tem papel fundamental na história da humanidade e pelo que entendi, para ele, o modelo não deve ser modificado. Segundo o jornalista uma mudança neste modelo coloca em risco, inclusive, a democracia. Interessante que ele disse que não houve nenhuma mudança até então, o que houve até agora são pequenos sinais de uma mudança que pode vir. Ah tá!
Esta foi a linha de raciocínio seguida também por Ricardo Gandour. Ele chegou a afirmar que pesquisas que eles tem feito apontam para um individualismo generalizado na rede e dentro das redes sociais. Quase me levantei e fui embora, mas resisti, afinal, a inscrição para o evento custa caro…
E depois, o genial Caio Túlio Costa não apenas exaltou a mudança que já ocorreu, como disse que ela é extremamente necessária. Ao dizer que antes o fluxo era unilateral e que agora ele é multilateral e logo depois praticamente bradar como “isso é fantástico!”, com a empolgação de um adolescente, conquistou toda a platéia que começou a bater palmas. Senti que a platéia comemorou porque ele falou o que todos queriam dizer.
Não acabou aí, ele também afirmou, mais de uma vez – como que querendo “empossar” o público - que cada pessoa ou instituição tem agora poder de mídia. E deve usa-lo.
Claro que houve réplicas e tréplicas - o interessante é que toda réplica começava com “concordo plenamente com o que o Caio disse, inclusive somos amigos há mais de 20 anos, mas blá blá bla…”.
Ao final eu quis gritar “E viva os blogs!”, mas fui repreendida pela minha amiga, e estou arrependida até agora por ter deixado ela me convencer.
Depois entrou a estrela do dia, Joe Crump (VP da Razorfish), que além de muito divertido, foi objetivo, direto e trouxe conteúdo. O título de sua palestra foi Obama.com e você: o que a eleição do primeiro presidente digital dos EUA significa para o futuro da publicidade.
Joe começou apresentando um vídeo que mostra um discurso de Barack Obama cantado. Bem americano, mas emocionou. Mas o show foi o que veio a seguir:
1) Primeiro ele convidou todos nós a fazermos uma revolução nas próximas eleições no Brasil. Uma revolucão nas redes sociais. Eu topo!
2) Depois, ele falou sobre a campanha de Obama. Deu uma “receita de bolo”que não vou repetir aqui porque este assunto já foi falado demais. Mas acredito que toda marca ainda tem lições a tirar daí.
3) E então ele quis fazer uma aposta: a de que o Brasil vai explodir digitalmente em 2 a 5 anos. Por que? porque somos as criaturas mais sociais do planeta, nestas palavras. Ele não parou por ai, mostrou números. Disse que deveríamos estar 2 vezes mais adiantados e que se as agências online não estão conseguindo mais verba de publicidade das empresas, elas não estão servindo o mercado corretamente.
Queimem estes 10% da cabeça! (Ele acha que são 10%, mas é 4,2% o nosso pedaço do bolo).
E depois ele deixou claro a que veio: a Razorfish entra no Brasil, Argentina e México em 2010. Mas valeu o recado para os empresários.
Aqui, o material apresentado por Joe Crump.
Por fim, um recado para os organizadores do evento: deixem a gente transmitir ao vivo o evento da próxima vez, afinal, o nome do evento é Digital Age 2.0!
Tchau!
