“Quem não vem no cordel da banda larga vai viver sem saber que mundo é o seu”

foto cparty 01 Quem não vem no cordel da banda larga vai viver sem saber que mundo é o seu

Na tarde de ontem, o músico Gilberto Gil fez uma palestra cantada na arena de Inclusão Digital da Campus Party. Em uma conversa descontraída, Gil teceu um panorama da sua carreira e explicou a importância da tecnologia na sua poesia.

Dois fatos tecnológicos marcaram definitivamente sua música: a criação do trio elétrico por Dodô (Adolfo Nascimento) e Osmar Macedo em 1950 e a corrida espacial na década de 60.

O coquetel da amplificação elétrica da música, combinada com a efervescência cultural e política dos anos 50 e 60, desencadearia as experimentações do Tropicalismo.

Já os efeitos da corrida espacial e da chegada do homem à lua foram muito mais filosóficos. Quais as consequências do avanço tecnológico? Qual caminho o homem trilharia a partir daí?

A primeira reação foi o medo. “Fiquei em uma submissão à visão romântica de mundo”. Ele temia que a ciência matasse a poesia:

“Do luar não há mais nada a dizer
A não ser
Que a gente precisa ver o luar”

Mas, aos poucos, Gilberto Gil começou a perceber os potenciais da tecnologia na expansão da sabedoria humana (para ele, este é o objetivo da sua obra como artista). Bastava se apropriar das possibilidades das máquinas, humanizá-las. Começa aí uma nova fase, de uma visão positiva, de busca da inclusão digital (inclusive em seu trabalho como ministro):

“Diabo de menino agora quer
Um i pod e um computador novinho
Certo é que o sertão quer virar mar
Certo é que o sertão quer navegar
No micro do menino internetinho
(…) Esse menino ainda vira um sábio
Contratado do Google, sim sinhô”

Atualmente, uma nova questão inquieta o músico: vamos ser substituídos pelas máquinas? Gil responde:

“Só eu posso pensar
Se Deus existe
Só eu
Só eu posso chorar
Quando estou triste
Só eu”

Ps: a músicas citadas são, em ordem de aparecimento: Banda Larga Cordel, Luar, novamente Banda Larga Cordel e Cérebro Eletrônico.