Angústias de uma nova era
A discussão sobre a economia do conhecimento tem se ampliado. Cada vez mais é comum se debater este termo em eventos e dentro das empresas. Porém, não podemos dizer que seja um conceito novo.
A primeira vez que o termo foi cunhado foi em 1966, pelo bom e velho Peter Drucker. Hoje, a economia do conhecimento é reconhecida como a terceira era da economia. A primeira foi a agrária, onde o poder estava nas mãos dos proprietários de terra. A segunda foi a era industrial, caracterizada pelo poder centralizado nas mãos de quem produzia bens de capital. E a terceira é a do conhecimento.
E aí entra a questão que é ponto central nesta revolução e que deixa empresas e intermediadores sem saber como continuar produzindo, vendendo, controlando e lucrando. E o que quero compartilhar, trocar idéia com vocês e – talvez – chegar a alguma conclusão (que óbvio, utilizei esta palavra mas reconheço a breve sobrevida dela) é o seguinte:
nas duas eras anteriores o gerador de capital era algo sobre o qual alguém podia se apropriar legalmente, ter um papel comprovando a posse daquele bem. E era único. Se eu vender minha fábrica de parafusos ou minha fazenda para você, ela deixa de ser minha e passa a ser sua. Mas quando se trata de conhecimento isso muda, pois se eu compartilho meu conhecimento com você, nós dois somos “detentores” dele agora. Pelo menos de algo bem similar, pois o conhecimento é diferente para cada pessoa, uma vez que o conhecimento é informação processada e este processamento depende da sua experiência de vida e seus conhecimentos anteriores (isso a grosso modo, pois o conceito de conhecimento é algo que continua sendo bastante debatido e não pretendo entrar nesta seara).
E isso muda bastante coisa, pois estamos migrando de uma economia em que os bens poderiam ser divididos ou transferidos para uma economia baseada em algo que pode ser compartilhado, talvez seja melhor dizer: multiplicado.
É essa característica, associada às novas tecnologias que vem sendo desenvolvidas nos últimos 40 anos, que permite um fenômeno como o sucesso dos players do tecnobrega no Pará. Imagino que todos já conheçam o case, mas segue um resumo para quem não conhece: os produtores da música produzem em estúdios caseiros, fazem as cópias e vendem diretamente para os ambulantes de rua, que vendem pilhas e pilhas dos cds. É um negócio milionário que excluiu a gravadora do modelo. Observe que os cds vendidos pelos ambulantes não são piratas, pois foram cedidos por quem tem o direito (os músicos).
Outro caso interessante é o vivenciado pelo economista Ladislau Dowbor no lançamento do seu livro Democracia Econômica. O livro foi disponibilizado online no mesmo dia em que foi enviado para a editora. A editora levou mais de um ano para colocar um pouco mais de 1.000 exemplares na rua. Quando o livro finalmente chegou às livrarias, a versão online já tinha sido baixada mais de 8.000 vezes.
Como esses teríamos centenas, provavelmente, de exemplos para citar. Quero chamar atenção para outro ponto: o interessante nos casos de “baixar” algo pela web – e aí entra a segunda camada de multiplicação, como estou chamando – é que quando baixo algo da web, eu não elimino o recurso do seu local de origem. Ou seja, se compro um livro na livraria, ele sai de lá e vem para mim. Se baixo pela web, ele permanece no local de origem, mas está também agora em minha máquina. Ou seja, não apenas o bem de produção (conhecimento) pode ser multiplicado, como o produto. No entanto, este é apenas mais um ponto.
Há outros, que andam confundindo as pessoas, mas principalmente as empresas. Nem comecei a falar ainda do knowledge worker, que deixa de ser visto como custo e passa a ser ativo. Vou deixar pra próxima.
beijos, tchau.
