Sam Grahram-Felsen, estratégia digital da campanha Obama e um pouco mais do mesmo

Quem acompanha palestras, discursos, posts em blogs e notícias, já deve estar confuso: quem foi, de fato, o tal responsável pela estratégia de mídias sociais da campanha do Obama?

Nesta sexta-feira veio ao Brasil Sam Grahram-Felsen (@samgf no Twitter), mais um dos protagonistas do case mais falado nos quatro cantos da internet. Um rapaz, cara de universitário, jeito de moleque, mas com um papo seguro e muito maduro sobre política e engajamento.

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O jornalista e estrategista digital que ajudou a eleger Obama esteve à frente do blog da campanha e, pelo que soube na “Rádio Peão”, é um profissional muito bem relacionado com os principais blogueiros norte-americanos, o que ajuda bastante, não é verdade?

De blogs especificamente, Sam não falou, ou falou pouco. O desenho da apresentação não foi diferente do que já vimos de outros, como Ben Self, Scott Goodstein e Rahaf Harfoush. Mas também não dá para ser diferente. Não existe case de mídias sociais de sucesso sem contexto e sem uma base muito forte de conceitos, sentimentos e atitudes.

O curioso do início da palestra foi Sam ter dito: “acho que o estudante brasileiro deve ser engajado e interessado em política”. Sabemos que não é bem assim, né? E o mais curioso foi, lá pelo meio da conversa, ele ter perguntado: “Quem na platéia gosta de comerciais na TV?”. A galera em peso levantou a mão. Só faltou gritar: SURPRESA! E surpreso ele ficou por encontrar uma platéia (composta em sua maioria por estudantes universitários) que pareceu não entender nada do que ele estava falando.

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Em bom volume, mas com pouca maturidade e respeito (sairam mais da metade antes do fim da palestra), Sam mostrou-se animado no Twitter quando voltou pra casa icon wink Sam Grahram Felsen, estratégia digital da campanha Obama e um pouco mais do mesmo

Passado esse constrangimento, Sam contou que, com relação à campanha do Obama, havia um pressentimento de que as pessoas queriam participar. O segredo então era descobrir como usar essa energia. Como vencer?

Se você pensa que a resposta foi “usar o Facebook, fazer uma rede social proprietária e criar um buzz artificial em torno da campanha”, você está errado.

O destaque foi para uma simples e matadora prática que foi abordada na campanha: Ouvir as histórias das pessoas, conhecer as pessoas, amplificar a voz das pessoas. Tornar o conteúdo gerado pelo usuário parte do discurso oficial, usar mídias sociais e força de vontade para facilitar o encontro presencial entre as pessoas e, principalmente, o Obama acreditar que as mudanças podiam acontecer de baixo para cima e que todas as pessoas podem participar.

Dá para perceber que é uma estratégia bem amarrada e não tem foco em canais ou ferramentas, mas em mensagens e pessoas? Eles só precisavam de condições políticas e financeiras para fazer isso tudo. Como disse Sam, são os três “M” para uma campanha de sucesso: MESSAGE, MOBILIZATION e MONEY.

Com isso em mente, depois foi só conseguir montar uma extraordinária base com 13 milhões de endereços de e-mail. Como fizeram isso? Fazendo pequenos concursos, promovendo encontros, facilitando o compatilhamento e transmissão das mensagens, usando redes sociais, acertando em mídia online e investindo bastante em analytics. Coisa pouca, né?

E ficamos aqui com algumas perguntas ainda sem resposta:

- Temos no Brasil um cenário favorável para este tipo de mobilização?
- Temos candidatos que provoquem este sentimento de que as mudanças são possíveis?
- Temos interesse em colocar o cidadão como protagonista dos processos democráticos?
- Temos maturidade para fugir do jogo sujo, de fazer spam, de plantar informações em espaços públicos e crackear contas e perfis?

A pensar icon wink Sam Grahram Felsen, estratégia digital da campanha Obama e um pouco mais do mesmo