A maior parte da população brasileira (64%) não sabe usar um mecanismo de busca para achar informação, nem enviar e-mails com arquivos anexados, nem enviar mensagens em salas de bate-papo e fóruns de discussão, nem usar um programa de compartilhamento de arquivos para trocar filmes ou música, nem baixar e instalar softwares, nem usar a Internet para realizar ligações telefônicas, muito menos criar uma página na Internet. Este é um dos resultados da Pesquisa sobre o Uso das Tecnologias da Informação e da Comunicação no Brasil 2008, produzida todos os anos pelo Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (Cetic) do Comitê Gestor da Internet no Brasil.

A falta de habilidade em atividades de navegação como estas (corriqueiras para quem trabalha com Internet) está até mesmo impedindo as pessoas de acessar a rede! Com a pergunta Por que você nunca utilizou a internet?, foram entrevistadas na mesma pesquisa pessoas que já usam o computador e que nunca navegaram. E o que a maioria das pessoas respondeu foi: é muito difícil. 61% dos entrevistados nunca acessou a Internet por falta de habilidade com o computador e com a própria Internet. Além disso, (arautos da revolução digital, preparem seus corações) 44% das pessoas opinaram que não navegam por falta de necessidade ou interesse. Só depois aparecem motivos econômicos (não têm condições de pagar o acesso) e de infraestrutura (não têm onde acessar).

Estes dados mostram como estamos longe de uma verdadeira democratização do acesso à Internet, e consequentemente do acesso à informação, no Brasil. Estas e outras estatísticas sobre o uso das tecnologias da informação no país podem ser encontradas na pesquisa do Cetic, que entrevista domicílios, indivíduos e empresas. Os dados são bem completos e apresentados em séries históricas. São utilizados os padrões metodológicos internacionais da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) e da Eurostat (Instituto de Estatísticas da Comissão Européia). As análises abordam o uso de celulares e computadores, governo e comércio eletrônicos em todo o território nacional, inclusive nas áreas rurais.

A ilustração do dragão é de Nicholas Colin Webb.

9 JUN 2009
15:07 GMT -0300

O que você quer ser quando crescer?

Por Natalia Keri

Ninguém pode negar que esta perguntinha é capciosa. Quando você tem 6 anos e responde que quer ser motorista de ônibus espacial (ou astro do rock!) quando crescer, fica muito aborrecido ao ouvir as risadinhas dos adultos. Já aos 17 anos, bem crescidinho, essa pergunta é um fantasma, quase um encosto, ainda mais acompanhada de toda a pressão dos pais, do tio, dos professores…

Mas quando estamos falando de um projeto, uma ação, um site nós somos obrigados a perguntar, quando ele ainda está engatinhando, o que o que ser quando crescer. Um dos momentos mais importantes em todo o trabalho de planejamento e gestão de métricas é detectar o objetivo daquilo que vai ser medido, até onde ele quer chegar, quais são os resultados esperados pelo nosso cliente.

Quando o cliente é uma empresa, em última análise, o objetivo é aumentar os lucros do cliente, vendendo mais produtos ou serviços, ou mesmo diminuindo os custos. Com clientes institucionais, ONGs, partidos políticos, fundações, etc, definir o objetivo final é bem diferente, mas este ponto precisa também estar muito bem delimitado entre todos os participantes do projeto.

O sucesso de um blog de um hospital beneficente pode ser, por exemplo, o aumento do valor recebido em doações pela internet. Já uma ONG de estímulo à leitura pode comemorar um aumento no número de empréstimos em suas bibliotecas ou de downloads de livros virtuais. Para rastrearmos os rumos de um projeto, corrigirmos suas rotas e comemorarmos os resultados precisamos, antes de tudo, saber onde queremos chegar. Pode parecer simples, mas muitas vezes é um desafio (vocês não acham?). A meta tem que ser específica, mensurável, atingível em um tempo definido e relevante, é claro.

Antes que alguém entre num dilema existencial (Quem sou eu? Qual é o objetivo da minha vida? Estou realizando os meus sonhos?), vou encerrar meu post. :)

Andrew Keen apimentou a tarde da última sexta-feira, dia 29 de maio, com suas provocações sobre o crescimento das novas mídias. No Talkshow (ouça aqui a íntegra), o crítico cultural colocou em debate a transparência da web 2.0, os sistemas de produção de conteúdo baseados em reputação, a atuação dos profissionais de Relações Públicas e o culto da inocência.

“Esta revolução é mais sangrenta e mais complicada que à primeira vista”. Com estas palavras Keen resume sua posição de ceticismo ante as maravilhas anunciadas com advento da internet.

Ele chamou atenção para a falta de clareza com que os produtores de conteúdo das novas mídias se posicionam. “Nós sabemos quem está por trás do New York Times. Nós sabemos quem está por trás do Wall Street Journal. Nós sabemos quem está por trás da Fox Television. O problema de muita coisa na internet e na web 2.0 é que, como não há intermediários nem gatekeepers, nós nunca sabemos quem está fazendo o que, nós nunca temos certeza do que é propaganda ou não, ou dos verdadeiros interesses das pessoas”.

Para o consumidor final da informação, quase tudo na internet é de graça. Keen aponta então dois efeitos desse “almoço grátis”: em primeiro lugar, uma maior dependência dos anunciantes, e em segundo lugar, a falta de estímulo aos talentos. Dar o resultado do seu trabalho de graça, para ele, acaba com a dignidade de um artista ou escritor. Além disso, obriga-os a serem constantemente Relações Públicas de si mesmos, pois já não contam com o apoio de instituições como editoras ou meios de comunicação tradicionais. A internet também não dispensa ninguém do esforço: “Nem todo mundo pode ser um escritor. Nem todo mundo pode ser diretor de cinema. Ter a tecnologia ao seu alcance não faz de você um artista”.

A democratização radical, um sistema completamente livre, para Keen, vai dar espaço para uma aristocracia virtual, um pequeno grupo controlando o que é divulgado na rede. A grande dúvida do crítico é: a internet está minando as estruturas das mídias tradicionais, mas como será o próximo modelo de comunicações?

Ouça aqui as opiniões de Andrew Keen:

- Sobre o culto do amador

- Sobre o Twitter

- Sobre Relações Públicas digitais