Quebrando de vez o mito da rolagem
Arquitetos de informação, designers, desenvolvedores e projetistas de sites ainda se preocupam bastante em colocar informações apertadas para que não gere aquela longa barra de rolagem vertical. Alguns de nossos amigos designers têm ainda mais restrição em relação a isso, apostando sempre em uma solução para que o layout não seja prejudicado devido ao tamanho do conteúdo. Acho que o layout precisa se adaptar ao conteúdo, e não o contrário.
Temos que educar nossos clientes que nem tudo em uma página web precisa estar em uma resolução 800 x 600. Pesquisas apontam que todas as resoluções maiores que 800 x 600 já dominam. Dessa forma temos muito mais espaço para mostrar os conteúdos mais relevantes. O conteúdo é fundamental, pois se o usuário ficar interessado no que está na primeira parte do site, eles irão rolar a página sem o menor problema.

Um estudo feito pela ClickTale com 120 mil páginas da web entre novembro e dezembro de 2006 apontam algumas justificativas e respostas para que os sites não fiquem limitados a uma determinada resolução. Veja alguns números da pesquisa:

96% das páginas na web possuem rolagem;
76% dos usuários que encontram páginas com rolagem fazem uso da mesma, pelo menos pelas 2 ou 3 páginas abaixo da resolução;
22% dos usuários costumam fazer a rolagem até o final, independente do tamanho da página.
O estudo recomenda ainda que apertar uma página para deixá-la mais compacta é um benefício mínimo para os usuários. O interessante é pensar e analisar quais são os conteúdos mais importantes para que fiquem acima da rolagem. A rodinha do mouse também é um fator que contribui para a queda desse mito, facilitando a rolagem. Lembra como era chato rolar uma página sem essas rodinhas?
Pedro Borges, Coordenador de usabilidade e interação da Talk Interactive, chamou o Marcelo Ottoni e eu para mostrar uma solução muito interessante no site da MSNBC.COM, que apresenta o seu conteúdo em uma única página com uma navegação muito inteligente entre textos, fotos, imagens e vídeos.
Na mesma página o usuário consegue visualizar todo o conteúdo. Você consegue navegar facilmente entre as possibilidades com um move menu, que identifica em qual conteúdo você está no momento. Pena que o site não utiliza esse formato diferenciado para todas as notícias, empregando somente em editorias que merece um espaço com mais evidência.
Outra coisa que vale a pena ser comentada é sobre o menu do site, no qual o usuário consegue ver as principais notícias dentro da categoria ao ser clicada.
Temos mais dois exemplos de soluções interessantes no Brasil. O portal da Fiat possui uma única página que apresenta todas as informações do carro como ficha técnica, acessórios, cores, itens de série, entre outros. O menu possui o comportamento de acompanhar o usuário durante a rolagem.

Trabalhei em uma agência que criava um hotsite a cada novo empreendimento que era lançado. O hotsite seguia sempre a mesma arquitetura de informação, mudando apenas a linha visual que normalmente acompanhava a campanha off-line. A Tecnisa criou uma solução bacana pra isso. Cada empreendimento novo tem uma página onde o usuário consegue visualizar fotos, mapas, características, localização, data de lançamento, vídeos, valores e etc.
Não sou nenhum guru da arquitetura de informação e usabilidade e não cabe a mim fazer previsões, mas é preciso repensar a concepção de grandes portais e aproveitar melhor as resoluções, não criando empecilhos desnecessários na navegação. Por isso na hora de projetar uma interface, pense se realmente vale a pena criar uma nova página. Será que á mais chato abrir várias páginas ou se satisfazer com aquilo que você deseja em um único lugar?
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Concordo que se limitar por causa das resoluções pode beirar a bobeira, mas vc esqueceu um dado importante na sua pesquisa. A crescente massa de usuários mobile, onde a resolução fica bem abaixo mesmo do 800x480.
Portanto se o seu site tem apelo para um público móvel, vc não precisa necessáriamente fazer 2 sites, mas sim um bom site que preve resolução menor e disponibiliza a massa importante de conteúdo dentro de um espaço ainda menor.
abs
MarceloMarcelo Eduardo | 06/05/2009 às 19:25 -
Marcelo, discordo completamente de vc. Web fixa e web mobile sao diferentes jah em seu conceito e portanto exigem sim duas versoes completamente diferentes de sites.
Um portal de noticias, por exemplo: se a informacao exibida em web fixa jah deve ser mais objetiva que a apresentada em midia impressa, a versao mobile deve ser ainda mais enxuta sua navegacao e apresentacao devem ser totalmente reestruturados, etc. Um bom exemplo disso eh o app d'OEstadao para iPhone ;)Diego Flores | 15/05/2009 às 17:12 -
Marcelo, você está enganado na aplicação real das informações que vc utilizou.
Qualquer empresa FOCADA em desenvolvimento mobile estra´desenvolvendo sites específicos e para faixas de aparelhos especfíficos.
Nenhum desenvolvimento para mobile pode seguir o modelo da web para computadores de mesa. É um meio com uma dinâmica completamente diferente e com especificações técnicas limitadoras que vão muito além do tamanho de tela.
Tenho um trabalho na área, se quiser possoe ncaminhá-lo.matheus | 01/06/2009 às 11:57 -
Todos os Arquitetos de Informação devem ter passado por esse “dilema” em algum momento de suas carreiras. Lembrando que cada projeto é especialmente analisado para atingir seus objetivos, não vejo problema algum em existir scroll vertical. Desde que, como citado em seu texto, as informações mais importantes estejam à vista dos usuários (acima do scroll). Bjs
Karin | 09/06/2009 às 14:50 -
Dá pra refletir, mas o importante é alcançar o objetivo e ser objetivo, o resto, tem que confiar no usuário, ou então criaremos usuários preguiçosos e ignorantes às novas tecnologias, significados dos ícones e expressões da web.
Vinícius Siller | 16/06/2009 às 15:54 -
Com a popularização das tecnologias e a melhoria dos equipamentos, a possibilidade da inclusão de conteúdos grandes ficou ainda maior. Acredito que a utilização da web hoje tem um carácter muito mais de pesquisa, serviços e interesse do que outrora. Desta foma quem navega está realmente interessado naquela informação. Portanto, se o usuário tiver que rolar a barra não será um problema.
David Gibran | 24/06/2009 às 16:46


