Interatividade e os sentidos

Esses dias eu estava precisando de um roupeiro novo. Como andava na correria natural de trabalho e não conseguia ir a uma loja pra ver as opções, resolvi procurar via Internet mesmo, para ganhar tempo. Aí então começa a jornada de buscas e mais buscas. Você tem que entrar e ver qual site tem catálogo. Será que entrega? Monta? Depois de navegar por diversos sites, encontrei exatamente o que eu queria. Mas será que é exatamente mesmo?

Bom, por ali pude ver uma série de fotos do produto. Por dentro, por fora, quantas gavetas, e por aí vai. Já tava quase tudo certo. Decidi então ler as especificações técnicas do produto, já que não conhecia a marca. Lá estava escrito barras laterais em MDF, barras horizontais em MDP e portas em Aglomerado. Como assim? Ta certo que dá pra ter uma noção. Mas e a real aparência, resistência e por aí vai? Acabei descobrindo uma loja que tinha o produto e fui lá conferir. Ainda bem que não comprei via web. Ia me dar mal.

No mundo real, ao entrar em contato com um produto, temos a possibilidade de interagir utilizando todos os nossos sentidos. Normalmente durante a aproximação temos um contato visual ou auditivo. Depois podemos ter a sensação tátil, sentir o cheiro ou o gosto.

Esse contato pode ser decisivo em um momento de compra. As vezes o negócio é lindo, mas o material pode não ser bom, pode ter um gosto ruim. Quando isso acontece, perdemos aquele encanto pelo produto e podemos buscar outra opção.

Mas e no mundo virtual?

O que me desafia trabalhando com ambientes interativos é que estamos restritos à visão e audição, pelo menos na maioria dos aparelhos usados hoje. Quanto aos outros sentidos, temos que dar um jeito de criar a sensação para o usuário de maneira criativa.

Talvez para determinados produtos, a internet sirva apenas para começar a despertar um interesse e levar o comprador até um ambiente para conhecer o produto na vida real. Quando vamos comprar artigos comuns como livros e CDs, tudo bem. Isso é moleza. Mas a conversa é diferente com carros, jóias, roupas, produtos eletrônicos.

Com o crescimento que ocorre nas verbas para Internet vejo a cada dia experiências interativas mais interessantes. Vou citar alguns casos onde acho que a experiência visual e auditiva compensa os outros sentidos.

Lincoln MKS: um ambiente com foco na forma

É um site aparentemente simples. Você rotaciona o carro. Mas ao começar, a simplicidade vai embora e abre portas para uma rotação diferente. Ela ressalta pontos fortes no design, reflete o cenário e está repleta de informações ao redor.

Aqui encontrei uma experiência muito forte com relação aos sentidos. O lance é que a rotação do interior do carro é tão bem feita que você imagina o cheiro do couro.

É nesse ponto aqui que eu quero chegar. O que fazer pra que isso aconteça? Com fazer com que o usuário imagine um sentido?

Veja e tire suas próprias conclusões: Lincoln MKS