It takes tremendous discipline to control the influence, the power you have over other people’s lives (Clint Eastwood)

Post em co-autoria com Daniel Souza

Quando a Fast Company lança a campanha The Influence Project para saber quem é a pessoa mais influente no mundo online, dá até uma falsa sensação de que iremos finalmente encontrar quem é que dá as cartas e as ideias na web.

Tamanho das fotos no The Influence Project está relacionado com a influência daquele perfil

Tamanho das fotos no The Influence Project está relacionado com a influência daquele perfil

Mas não precisa ser muito inteligente para refletir sobre o tema e questionar o que é essa tal de influência que eles estão medindo. Na proposta, relaciona-se influência à quantidade de cliques num link enviado por determinada pessoa para sua rede. Mas isso é influência mesmo?

Não é a minha intenção aqui desconstruir e desconsiderar o trabalho da Fast Company, mas apenas apontar alguns argumentos que podem nos livrar de armadilhas no mercado de comunicação digital. Quem trabalha na área sabe bem como é chegar numa reunião de briefing e ouvir o cliente dizer que quer ter mais seguidores do que o José Serra, ou o Luciano Huck.

O psicólogo Herbert Kelman, da Universidade de Harvard, indica o que seriam as três vertentes da influencia social: conformidade, identificação e internalização. Percebo estas três vertentes como gradações de influência, ou seja, uma evolução da relação entre os indivíduos que vai desde a resposta favorável a um chamado para ação, passando por uma assimilação superficial, parcial ou completa, de determinadas características, chegando, por fim, a uma transformação efetiva no comportamento social, tanto na esfera pública quanto na esfera privada.

Sendo assim, essa influência medida pelo The Influence Project revela apenas parte da primeira vertente da influência social, que é mais frágil e mais rasa de todas.

Medir volume de menções, cliques, visualizações de páginas, número de seguidores e amigos já não é tão importante. O que importa verdadeiramente é a qualidade de interação, a replicação das idéias e argumentos em outros contextos e ambientes.

De fato, apontar os mais influentes será sempre uma tarefa ingrata pela nossa necessidade de automação de respostas e resultados. Queremos medir a influência com um número mágico, que é resultado de um reflexo condicionado, um clique num botão.

Recentemente a Sysomos divulgou um estudo no qual aponta os hardusers do Twitter como mais influentes do que as celebridades presentes no sistema de microblog. Apesar de terem milhares ou milhões de seguidores, os famosos têm menos autoridade e influência sobre eles do que os “pesos pesados” da web. Este resultado já dá uma ideia da diferença entre quantidade e qualidade, mas ainda é pouco.

Enquanto isso, no TweetLevel, os TOP5 do ranking de influência são:

tweet_level_top

Faz algum sentido?

A real influência, ou a influência que realmente agrega valor (inclusive financeiro), está ligada à conversão, ou ao engajamento. A própria comunidade online já reconhece isso e espera um pouco mais das ações de mobilização. Produza um vídeo, faça um post, plante uma árvore, vá às ruas. Já é assim que se mede e se reconhece influência na web.

Como eu posso afirmar isso? É só acompanhar o buzz gerado pela campanha no Twitter. Tirando a blogosfera brasileira [sic] que ainda nem falou sobre isso, e quando falou, foi  para um CTRL+C e CTRL+V do release “inspirar e colocar as pessoas para pensar do que para analisar o significado da palavra influencia”, centenas de pessoas vêm criticando o The Influence Project.

E começa o mimimi sobre o The Influece Project

E começa o mimimi sobre o The Influece Project

(Vejam alguns exemplos: aqui, aqui e aqui ó)

Neste sentido, acho que um dos caras mais influentes da web brasileira é o Augusto de Franco, que consegue reunir milhares de pessoas e torná-las tão responsáveis quanto ele pela Escola de Redes, e que consegue fazer com que essas pessoas se encontrem, troquem informações, insiram em seus estudos e textos as ideias que compartilham na escola.

Ainda sobre o tema, recomendo a leitura do excelente artigo da Amber Naslund, How Fast Company Confused Ego with Influence.

Comentários

  1. Fábio, me conta uma coisa: Qual foi o objetivo do seu post?

    Mostrar que vc estuda/pesquisa antropologia e psicologia, criticar o projeto, ajudar o Augusto de Franco ou meter o pau em blogueiro? (que é um titulo que vc usa)

    E release? Ta maluco? Descobri o projeto pelo twitter e disse isso no texto que vc não deve ter lido.

    Meu post é muito mais para inspirar e colocar as pessoas para pensar do que para analisar o significado da palavra influencia.

    As pessoas levam as coisas muito a sério.

    Rodrigo Zannin | 07/07/2010 às 15:38
  2. Mto bom, garotos! Já não vou mais usar robozinho no Twitter, hehehehe. Beijos, qualidade e um axé, que ninguém é de ferro.

    Soraya | 07/07/2010 às 15:42
  3. Rodrigo, desculpe se te ofendi com meu artigo. Não era mesmo esse o objetivo. Não estudo psicologia ou antropologia e sempre que possível ajudarei o Augusto, estudioso que respeito e admiro muito. Acho que ele merece ser mais citado e reconhecido do que é efetivamente.

    Por conta de minha má redação, abri mão de uma força de expressão para citar o seu blog e o seu post e ficou mesmo pejorativo. Peço desculpas por isso. Não desabono seu blog, muito pelo contrário, acompanho sempre. A minha crítica à dita blogosfera não é direcionada a você ou ao seu blog, é ao conjunto todo, apesar de te colocar nesse seleto hall. Coisas que falamos, discutimos e apresentamos nos blogs brasileiros estão, em geral, com algumas semanas de atraso em comparação ao que aparece na web gringa. Me incluo nessa tamém.

    Agradeço pelo seu comentário e pela inspiração à reflexão que ele me proporcionou. Cumpriu o seu objetivo. O debate é sempre saudável.

    Também acho que as pessoas levam as coisas muito a sério... e espero que vc não leve esse post tão a sério também ;-)

    Fabio Bito | 07/07/2010 às 16:29
  4. EHhehehe... valeu, Soso! E pode usar o robozinho sim, não há nada de errado nisso. Só não serve pra nada ;-)

    Fabio Bito | 07/07/2010 às 16:44
  5. [...] o jornalismo de indexação (Tiago Dória) 2. Farmville no supermercado (Marketing de cozinha) 3. Diferença entre popularidade e influência em mídias sociais (Talk2) 4. Google and Chine agree on a fiction [...]

  6. [...] na rede, recomendo dois textos bem interessantes sobre o The Influence Project (via @danielsouza): A diferença entre popularidade e influência em Mídias Sociais, no blog da Talk, e o texto do sempre [...]

    O que conta? « marianarrpp | 12/07/2010 às 23:00

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