Talk Brasília contrata 01 Analista de Redes.

Requisitos:

- Graduando em Ciências da Computação ou Sistemas da Informação;

- Conhecimento de análise, configuração e troubleshooting de redes;

- Noções de firewall;

- Noções de IPS/IDS;

- Conhecimentos de segurança da informação;

- Linux/*ux Avançado – Administração de Sistemas.

Carga Horária: 8 horas

Contrato CLT. Benefícios: Vale Refeição ou Alimentação + Vale Transporte.

Interessados devem passar ali na área Trabalhe Conosco para preencher o formulário de currículo até 05/07/2009.

30 JUN 2009
18:29 GMT -0300

TALK CONTRATA!

Por Recursos Humanos

A Talk Brasília procura Analista de Interface, com os seguintes requisitos:

- Curso Superior em Ciências da Computação ou Sistemas da Informação;
- Conhecimento de Arquitetura de Informação e acessibilidade;
- Experiência em mashups;
- Conhecimento de APIs de integração;
- Amplo conhecimento em ferramentas colaborativas de código aberto;
- Conhecimento de HTML, XHTML, CSS, JavaScript, PHP, Action Script.

O contrato é CLT. Os benefícios incluem vale alimentação ou refeição e vale transporte.

Interessados devem passar ali na área Trabalhe Conosco para preencher o formulário de currículo até 02/07/2009.

Texto coletivo da Talk: Fábio Bito Teles, Marcelo Ottoni,  Soraya Coelho, Luiz Paulo Rosa, Helio Miranda, Gustavo Gomes, Pedro Borges

Quando entrevistei pela primeira vez - na verdade, também uma das minhas primeiras entrevistas como estagiário - o Andre Lemos, em Salvador, uma frase do pesquisador ficou na minha cabeça para sempre: “A internet liberou o pólo de emissão no processo de comunicação, deixando tudo a disposição de todos”.

Para um recém aprovado na faculdade de jornalismo e louco por internet, aquilo era música pra os ouvidos. E música da boa.

Até hoje, quase 10 anos depois, a frase ainda ecoa por ai, quando exaltamos o grande poder das mídias sociais diante das organizações públicas e privadas.

Quando começam a pipocar no meu twitter, no meu feed de RSS e, finalmente, nos convites para comunidades no Orkut sobre um determinado tema, a frase do Lemos aparece viva na minha memória.

Iran Google News Image(Evolução de novas referências sobre o Irã no Google)

Não foi diferente com relação ao grande assunto das últimas semanas: os conflitos após as eleições no Irã, que nos levam a carregar essa bandeira da “democratização da informação” de maneira quase heróica.

Não há dúvidas sobre a censura e cerceamento da liberdade de imprensa no Irã. Também não há dúvidas de que existem conflitos, mas até que ponto nós conseguimos compreender estes conflitos a ponto de comentá-los, criticar “um lado ou outro” e passar informações para nossa rede de forma criteriosa?

O quão profundo conhecemos o Irã para perceber quem é que está usando as mídias sociais naquele país? E, mais sério do que isso, o quanto somos capacitados e informados verdadeiramente para refletir sobre quais doutrinas, filosofias, orientações políticas orientam esses interlocutores iranianos?

O que chega para a rede é apenas a ponta de um iceberg, que não deve ser descartada, mas não pode ser negligenciada. O que preocupa não é o que está exposto, mas sim o que está oculto.

Tendo isso em mente, o fato é que as ferramentas de publicação estão sendo usadas pela população (principalmente estudantes e militantes) e por isso já podemos ver o poder que internet tem. Driblou até um estado totalitário! Existe contra-inteligência, desinformação, paixão, parcialidade e omissão diluídas no meio do que recebemos dessa “people’s media”.

O Twitter, enquanto microblog, gera o alarde, a informação se esparrama rapidamente por meio de links e palavras-chaves, mas de forma superficial. As pessoas ficam sabendo que algo está acontecendo em tal lugar, sem saber ao certo as causas e as conseqüências disso, e sem conseguir formular argumentos que sustentem sua opinião quando conseguem ter uma. Daí vem o efeito de manada, as pessoas multiplicam essa informação sem mesmo saber do que estão falando. Isso não torna o fato e a ação menos genuínos e sinceros, mas em termos de estudo de caso, não podemos deixar de considerar.

A blogosfera, por sua vez, traz um contexto mais elaborado. Quem se dá ao trabalho de postar um artigo sobre o assunto ao menos foi atrás de mais informações em relação aqueles que simplesmente passaram um link adiante. Mesmo assim, não há garantia da legitimidade dessas análises na maioria das vezes. A conseqüência aqui é a formação das espirais do silêncio, em que as discussões rodam em torno de espectros que não atingem o todo da questão analisada.

Os números do tráfego de informações relacionadas ao tema e o crescimento da blogosfera no Irã mostram que, mesmo que não seja um fenômeno representativo para toda a população do país, já existe uma camada representativa de iranianos online, produzindo e publicando conteúdo que cai na rede e prolifera.

(a imagem faz parte do artigo da Escola de Redes)

O escritor e jornalista Gay Talese, 77 anos, faz uma alegoria muito interessante em entrevista à revista Veja recentemente, afirmando que alguns blogueiros “são como uma torcida num jogo de futebol que fica o tempo todo gritando para os jogadores, para o juíz. É gente que não apura nada, só faz barulho”. Dentro de um contexto multi-ferramenta, a gente pode dizer que não só os blogueiros, mas os usuários de redes sociais e, extrapolando um pouco, as pessoas com acesso à mídia.

Quando deixamos de ser passivos e começamos a produzir conteúdo, publicá-lo e replicá-lo na internet, passamos a externar as nossas crenças, nossos posicionamentos de cultos leigos com algum alcance. Aprendemos a fazer barulho. E muitas vezes gritamos como loucos sem nem ter visto a jogada. Agimos exatamente como a torcida de futebol, apaixonada, que mesmo com algum conhecimento sobre futebol - incluindo a lei do impedimento, por exemplo -, é incapaz de reconhecer os detalhes dos encontros entre os adversários, a articulação do momento entre os companheiros e o diálogo com o árbitro.

Até aí Gay Talese está coberto de razão. Mas o erro dele é dizer que “só faz barulho”. Fazer barulho não é pouca coisa. Quem freqüenta estádio de futebol sabe bem o que é isso. Aquela pressão, aquele suporte das arquibancadas que faz com que um chutão para a lateral seja comemorado como um gol. A força da massa não pode ser desprezadas e nós temos que aprender a medir a força que ela tem na internet.

Já o indiano Gaurav Mishra, pesquisador em mídias sociais, é mais radical. Para ele, quando se cria termos como “revolução via Twitter” despreza-se o que realmente importa, que é a mobilização popular de eleitores tanto de Mousavi quanto de Ahmadinejad, que estão nas ruas do Irã protestando e vivendo o fato político em si. Sem eles não existiria sequer assunto para a hashtag #iranelection.

Ainda segundo Mishra, uma possível revolução no Irã não teria nada a ver com o Twitter, e sim com os iranianos. Ele justifica que no Irã, ferramentas como o Twitter não atingem 10% da população, então é falso afirmar que o Twitter está sendo usado para organizar as manifestações. Para ele as mobilizações seriam possíveis se feitas via e-mail ou celulares, que estão presentes para a maioria da população iraniana.

Por outro lado ele reconhece a importância do Twitter no assunto como influência da opinião pública em outras regiões do mundo, que por sua vez irá gerar outras formas de influência sobre os soberanos do Irã.

São ecos da opinião pública que, quanto mais longe do epicentro, mais agregam fatores emocionais em detrimento da informação em si.

E o que tiramos disso tudo? É que de forma alguma podemos desprezar o poder das redes sociais. Você desprezaria?